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Oportunidades de desenvolvimento institucional crescem 129% e tecnologia ganha espaço no terceiro setor, aponta estudo

  • DePropósito Comunicação
  • há 10 horas
  • 6 min de leitura

O acesso a oportunidades de formação, financiamento e captação de recursos segue como um dos pilares para o fortalecimento das organizações da sociedade civil (OSCs) no Brasil. Em 2025, foram identificadas 793 oportunidades de formação e captação de recursos voltadas ao desenvolvimento institucional (DI) de OSCs, mais que o dobro das 346 oportunidades mapeadas em 2024. Os dados são do Estudo Panorama Conjunta 2025–2026, da Plataforma Conjunta, que está em sua terceira edição e acaba de ser lançado em um evento na capital paulista, que reuniu profissionais do terceiro setor na Unibes Cultural no dia 11 de agosto.  

Dentre as oportunidades de formação, 71% delas são gratuitas e 63% ocorrem em formato virtual. Além disso, 98% das formações on-line possuem abrangência nacional, ampliando o acesso de organizações de diferentes regiões do país. Embora o formato virtual permaneça predominante, o número de oportunidades presenciais quadruplicou em relação à edição anterior, passando de 36 para 146 iniciativas. 

Entre os principais achados, dentre as oportunidades mapeadas, 560 são de formação, sendo que 71% delas são gratuitas e 63% ocorrem em formato virtual. Além disso, 98% das formações on-line possuem abrangência nacional, ampliando o acesso de organizações de diferentes regiões do país. Embora o formato virtual permaneça predominante, o número de oportunidades presenciais quadruplicou em relação à edição anterior, passando de 36 para 146 iniciativas. 

Apesar desse avanço, uma das principais barreiras para as formações presenciais não está no custo, mas na concentração territorial. Entre as oportunidades presenciais, mais da metade (55,5%) está localizada na região Sudeste. Outro ponto de atenção é que 66% das formações possuem disponibilidade temporária, indicando que o ecossistema tem ofertado experiências mais curtas, como seminários e eventos.

“O Panorama contribui para dar mais visibilidade ao campo e fortalecer uma sociedade civil mais autônoma e potente. Ao olhar para as oportunidades a partir da perspectiva de quem realmente busca e acessa esses apoios, o estudo ajuda a ampliar a transparência e a tornar mais democrático o acesso a recursos e conhecimentos voltados ao desenvolvimento institucional. Além disso, mostra que existe um ecossistema de apoio muito mais amplo e diverso, que vai além da filantropia privada tradicional.”, afirma Camila Stefanelli, coordenadora executiva da Conjunta. 

Quando analisados os temas das formações, o estudo mostra que mais da metade das oportunidades está concentrada em captação de recursos (22,9%), desenvolvimento institucional (18,55%) e gestão jurídica (14,47%). Temas como governança, diversidade e inclusão e saúde mental seguem com baixa representatividade, indicando áreas que ainda demandam maior atenção no fortalecimento das OSCs. 

Uma inovação da edição são os textos reflexivos escritos por autores referências na área. Os nomes convidados Ana Claudia Andreotti (Infinis), Beatriz Waclawek (Movimento Bem Maior), Erika Saez Sanchez (IACP), Fernando Nogueira (ABCR), Gelson Henrique (Iniciativa PIPA), Luisa Lima (IDIS) Patricia Kunrath (GIFE) e Rodrigo Cavalcante (Phomenta) compõem, junto ao prefácio de Domingos Armani e o posfácio de Cássio Aoqui, um conjunto de perspectivas de olhar, insights e leituras sobre o campo. 

Uma das reflexões presentes aborda a importância da transparência para o fortalecimento do DI no Brasil. Para Gelson Henrique, diretor executivo da Iniciativa Pipa, ampliar o acesso à informação também fortalece as OSCs. “Transparência é o que pode abrir caminho para um acesso menos desigual e mais democrático às rotas de financiamento. Sem clareza por parte dos doadores, os dados de desenvolvimento institucional seguirão difusos ou até invisíveis, então defendemos que ela seja entendida como infraestrutura política de democratização do financiamento”. 

Conhecimento avança, mas financiamento segue como desafio

O Estudo Panorama Conjunta 2025–2026 mostra que o acesso ao conhecimento continua sendo a principal porta de entrada para o desenvolvimento institucional das OSCs. Quando o assunto é financiamento, é apontado um descompasso entre o tempo necessário para o DI e a duração dos apoios concedidos. Cerca de 63% das oportunidades têm duração de até um ano, enquanto aproximadamente 1% oferecem financiamento superior a três anos. Outro dado relevante é que em torno de 8% das iniciativas informam a possibilidade de renovação dos apoios, e recursos livres e flexíveis ainda são minoria, representando apenas 18% das oportunidades de financiamento.

"Há muito a comemorar: ampliamos a visibilidade das oportunidades, fortalecemos o debate sobre desenvolvimento institucional e alcançamos mais organizações. Mas os dados também mostram uma contradição que o campo precisa enfrentar. Queremos OSCs mais fortes, autônomas e sustentáveis, porém ainda oferecemos apoios curtos, fragmentados e excessivamente condicionados. Se desejamos que as organizações dependam menos dos financiadores, precisamos criar condições para que construam essa autonomia, com recursos mais flexíveis, contínuos e alinhados ao tempo real do fortalecimento institucional", ressalta Erika Sanchez Saez, diretora executiva do Instituto ACP e cofundadora e membro do comitê gestor da Plataforma Conjunta.   

Os resultados reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre sustentabilidade das OSCs e promover iniciativas que garantam maior previsibilidade e autonomia para as organizações. O documento também destaca que fundações e institutos independentes são os principais financiadores do desenvolvimento institucional, seguidos pelo poder público, que ocupa a segunda posição entre os apoiadores mapeados. Em contrapartida, a participação das empresas apresentou uma redução significativa, passando de 19% em 2024 para cerca de 8% em 2025, resultado que contrasta com outras pesquisas sobre filantropia no Brasil, que apontam o setor empresarial entre os principais doadores do campo. 

Ecossistema se diversifica e acompanha novas demandas

O estudo da Conjunta também identificou mudanças no perfil das oportunidades oferecidas ao terceiro setor. Entre os temas abordados nas formações, a tecnologia foi a área que apresentou o maior crescimento proporcional, passando de quase 5% em 2024 para 9% em 2025. O dado reflete a crescente presença da transformação digital no cotidiano das organizações e o aumento do interesse por ferramentas como inteligência artificial. Nas oportunidades de captação de recursos, o meio ambiente aparece como a agenda mais contemplada, representando 18% das iniciativas mapeadas.

A ampliação da curadoria e das fontes analisadas contribuiu para tornar o levantamento mais abrangente. ”Em 2025, a partir do diálogo próximo com a Plataforma Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil (MROSC), a Conjunta também aprimorou sua Política de curadoria e passou a incluir editais públicos que reconheçam a possibilidade de acrescentar despesas relacionadas às dimensões do desenvolvimento institucional, bem como aqueles promovidos pelo poder executivo municipal, estadual e federal", explica Adriana Mariana, coordenadora de prática da filantropia do Gife e membro do Comitê Gestor da Plataforma Conjunta. 

O estudo também evidencia um ecossistema cada vez mais diverso, com oportunidades distribuídas entre diferentes agendas, como desenvolvimento territorial (12%), direitos humanos (12%) e educação (9,6%). Para a Plataforma Conjunta, o cenário reforça que o fortalecimento institucional das OSCs depende da articulação entre diferentes atores, agendas e fontes de financiamento.   

Inteligência artificial auxilia nas demandas das organizações

Durante o evento de lançamento do Panorama Conjunta 2025–2026, a Plataforma Conjunta também apresentou a CORA. Integrada ao ecossistema de soluções, conteúdos e funcionalidades da Conjunta, a ferramenta utiliza inteligência artificial e foi treinada a partir de uma base curada de conteúdos produzidos pelo próprio campo social, oferecendo respostas alinhadas às necessidades das OSCs.

“A CORA nasce para facilitar o acesso ao conhecimento já produzido pelo campo social e ajudar as organizações a encontrarem caminhos para seus desafios cotidianos. Nosso objetivo é que ela funcione como uma ferramenta de apoio à tomada de decisão, conectando pessoas a conteúdos, oportunidades e referências de forma simples, rápida e contextualizada”, ressalta Michele Rocha, cofundadora e integrante do Comitê Gestor da Plataforma Conjunta. 

Com acesso gratuito, a CORA permite que usuários encontrem conteúdos, formações, materiais, referências e oportunidades de captação de recursos relacionadas ao tema de atuação e às demandas específicas de cada organização. A ferramenta também auxilia na construção de trilhas práticas em áreas como captação de recursos, governança, sustentabilidade organizacional, gestão interna e DI.

“A inteligência artificial tem potencial para reduzir barreiras de acesso à informação e ampliar a capacidade de atuação das organizações. A CORA foi desenvolvida para responder às necessidades específicas do terceiro setor, utilizando uma base de conhecimento qualificada e construída pelo próprio campo social, o que torna suas respostas mais relevantes e aderentes à realidade das OSCs”, destaca Gabriel Cardoso, gerente executivo do Instituto Sabin e integrante do comitê gestor da Plataforma Conjuntar. 

A ferramenta ainda está em fase de testes e aprimoramento contínuo. A expectativa é que a CORA evolua de forma colaborativa, incorporando novos aprendizados e feedbacks dos usuários para tornar a experiência cada vez mais intuitiva, acessível e alinhada às necessidades reais de organizações, coletivos e movimentos sociais em todo o país.

Para acessar o Estudo Panorama Conjunta 2025–2026 completo, acesse:  https://conjunta.org/conteudo/panorama-conjunta-2025/  



Assessoria de Imprensa para ONGs / Assessoria de Imprensa para o Terceiro Setor


 
 
 

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