Aos Fatos lança sistema de monitoramento em tempo real contra a desinformação

A agência de checagem de notícias Aos Fatos lançou um inédito sistema de monitoramento em tempo real para o combate à desinformação. O Radar Aos Fatos é um monitor que detecta conteúdos potencialmente enganosos que circulam nas redes sociais por temas. Nele, publicações são vasculhadas por um algoritmo que mapeia padrões de linguagem e classifica de acordo com sua qualidade informativa. Assim, é possível não só observar a evolução de campanhas baseadas em informações falsas, mas também saber como foram amplificadas. O projeto foi vencedor do Google Innovation Challenge em 2019 e recebeu apoio da Google News Initiative. Em sua versão beta 0.1, o Radar Aos Fatos mapeia e reúne em uma só plataforma redes de conteúdo de baixa qualidade sobre Covid-19 no Twitter e no YouTube, além de padrões de linguagem com potencial desinformativo em sites e no Google Trends. Com isso, analisa semanalmente uma média de 90 mil publicações, sobre as quais aplica uma metodologia que une conhecimentos da Linguística e da Comunicação à Ciência de Dados. Essa mesma metodologia permitirá produzir relatórios semanais sobre estratégias de desinformação empregadas em temas quentes da agenda, que estarão disponíveis em modo degustação até setembro. Também está prevista para setembro a oferta, em modo premium, de bases de dados estruturadas, curadas pela equipe do Radar, para a produção de inteligência sobre o que circula nas redes. Nas próximas semanas, Aos Fatos também irá lançar monitoramentos específicos para as eleições e demais tópicos relacionados à agenda nacional. O Radar Aos Fatos foi concebido para contemplar três públicos específicos: 1. Empresas que lidam diariamente com cenários de risco e precisam entender os componentes globais da formação da opinião pública. 2. Universidades, think tanks e centros de pesquisa que precisam ter acesso facilitado a dados e análises conjunturais de desinformação para desenvolver policy papers e pesquisas sobre plataformas sociais. 3. Redações jornalísticas que cobrem o fenômeno da desinformação e precisam entender quais temas estão pautando as redes desinformativas e, sobretudo, como esses fluxos interagem entre si.


"Para tomarem decisões bem informadas e definir boas estratégias, líderes em suas respectivas áreas precisam estar continuamente conscientes de como as campanhas de desinformação influenciam o debate público, especialmente se esses debates estiverem acontecendo simultaneamente em várias plataformas. O Radar Aos Fatos vem preencher essa lacuna — localiza, qualifica e dá contexto sobre os principais vetores desinformativos nas redes enquanto gera inteligência estratégica", diz a diretora executiva do Aos Fatos, Tai Nalon. Entenda como o Radar Aos Fatos funciona

Em primeiro lugar, a equipe editorial do Aos Fatos seleciona um tema para monitoramento: inicialmente, o Radar tem como prioridade publicações sobre a pandemia do novo coronavírus. Isso não significa que, eventualmente, nossa equipe não produza inteligência sobre outros temas. Não só faz, como os publica. Porém, até agosto, a metodologia automática havia sido aplicada com enfoque na pandemia de Covid-19. Em seguida, é preciso capturar as publicações em sites e redes sociais sobre o tema. Após coletado, todo o material passa por uma série de processos que têm como objetivo extrair dados relevantes sobre conteúdo, autoria, imagens e vídeos, entre outras informações. Nem todos os conteúdos coletados, contudo, serão exibidos no Radar. A seleção é feita por um algoritmo, com base em combinações complexas de termos de busca, que reúnem recortes do tema que representam maior risco de promover desinformação. No caso do coronavírus, por exemplo, publicações sobre medicamentos milagrosos ou sobre a origem do vírus têm maior potencial de disseminar desinformação do que conteúdos sobre o modo correto de usar máscaras ou relatos pessoais sobre o medo da pandemia. As combinações de termos são atualizadas diariamente. Com os dados sistematizados, cada publicação é avaliada segundo um conjunto de critérios, que recebem pontuações variáveis de acordo com um sistema de pesos. As notas compõem um índice que varia entre 1 e 10. Quanto maior o resultado, maior o nível de qualidade da publicação, ou seja, menores as chances do conteúdo analisado promover desinformação. Cada plataforma analisada recebe um índice diferente, pois apesar de algumas características em comum, há especificidades em cada uma delas que não podem ser ignoradas. Por exemplo, enquanto em sites noticiosos o uso de verbos ou pronomes de primeira pessoa é avaliado negativamente (pois foge da estrutura impessoal dos textos jornalísticos), essa mesma característica não é eficiente como critério para avaliação de publicações do Twitter, muito mais expressivas e pessoais. Por outro lado, padrões temporais fazem mais sentido como critérios de avaliação no Twitter do que em sites; se um usuário desta rede publica muitas vezes em um intervalo curto de tempo – sinalizando uma possível ação coordenada –, ou se um retuíte retoma uma publicação antiga – o que pode apontar descontextualização da informação – a publicação recebe nota inferior. Apenas publicações com pontuação inferior a 5 são exibidas no monitor do Radar. Como é calculada a nota final?

O algoritmo que calcula as notas do índice de avaliação do Radar Aos Fatos foi elaborado com a aplicação de uma média ponderada das notas recebidas em cada critério, considerando os pesos de suas respectivas categorias. Por fim, foi realizada uma padronização das médias para deixá-las na escala de 1 a 10 de pontuação, através de uma interpolação, para cada publicação analisada.

A interpolação utilizou os valores de máximo e mínimo obtidos através da tabela de critérios de cada rede, isto é, são valores constantes. Isso permite que a adição de novas publicações, ao longo do tempo, seja totalmente adaptável à escala definida, e viabiliza a comparação entre conteúdos, independentemente do período de coleta.


Para saber mais, acesse www.aosfatos.org/radar/landing/


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