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Currículo invisível: como o voluntariado no ensino de inglês desenvolve jovens líderes e amplia oportunidades acadêmicas

DePropósito Comunicação
há 1 dia
4 min de leitura

Nem todas as habilidades desenvolvidas por um estudante aparecem no boletim ou em certificados. Cada vez mais, experiências vividas fora da sala de aula, como o voluntariado, passam a integrar o chamado “currículo invisível” — uma trajetória construída a partir de competências como liderança, comunicação, responsabilidade e empatia, que revelam o perfil do jovem e podem se tornar diferenciais em processos seletivos de universidades internacionais.

Como parte deste movimento, o voluntariado estudantil ganha espaço nas escolas como uma ferramenta de formação integral, ao proporcionar aos jovens experiências práticas de aprendizado, troca e desenvolvimento de novas competências. Entre as iniciativas que podem ser implementadas em escolas bilíngues está o ensino voluntário de inglês entre estudantes, uma prática que transforma o idioma em uma ponte entre diferentes realidades e acompanha uma tendência da educação internacional: formar jovens capazes de unir excelência acadêmica, protagonismo e responsabilidade social.

Apesar de o Brasil contar com mais de 57 milhões de pessoas que realizaram trabalho voluntário, segundo pesquisa do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) em parceria com o Datafolha, em 2021, adolescentes ainda têm participação reduzida nessas iniciativas sociais. 

Por este motivo, unir o ensino de inglês ao voluntariado cria uma oportunidade para que os próprios estudantes transformem o conhecimento adquirido em sala de aula em uma experiência prática de impacto social. É o caso da Cidadão Pró-Mundo (CPM), ONG que mobiliza mais de 1.450 voluntários para ensinar inglês gratuitamente a jovens de escolas públicas e bolsistas da rede privada.

Em 2025, a organização atendeu mais de 2.350 estudantes, distribuídos em 284 turmas. Entre os alunos atendidos, 88% possuem renda familiar entre um e quatro salários mínimos e 57% são pretos ou pardos. Além de ampliar o acesso ao ensino da língua inglesa, a iniciativa também transforma o conhecimento do idioma em uma ferramenta de participação social e desenvolvimento pessoal para os próprios voluntários, que no caso são estudantes. 

Alunos do ensino médio, a partir dos 16 anos, podem atuar como professores voluntários de inglês. Ao ensinar o idioma a outros jovens, a CPM prepara estes jovens a darem aula com o um material didático certificado e com acompanhamento de um grupo pedagógico, tendo a oportunidade de exercitar, na prática, competências como interpessoais e acadêmicas, ao mesmo tempo em que acumulam uma experiência de impacto social que pode integrar sua trajetória acadêmica e profissional.

A primeira experiência de liderança

Ao assumir o papel de voluntário, o estudante desenvolve competências socioemocionais e acadêmicas que dificilmente seriam adquiridas apenas no ambiente escolar. A experiência fortalece a capacidade de comunicação, a oratória, a habilidade de explicar conteúdos complexos de forma acessível, além de ampliar a escuta ativa, a flexibilidade cognitiva, o senso de responsabilidade e o compromisso com a comunidade.

Essas vivências têm sido cada vez mais valorizadas em processos de admissão de universidades internacionais. A parceria entre a CPM e a Escola Eleva, mostra como o voluntariado pode integrar o projeto pedagógico das escolas e beneficiar toda a comunidade escolar.

"A parceria está no segundo ano e tem contribuído muito, não só para as pessoas que têm vindo aprender, mas como para os nossos alunos e para a nossa comunidade escolar", comenta Isabela Pedrosa, professora da Eleva. 

Para muitos estudantes, o contato com o voluntariado representa a primeira experiência de liderança e ensino. “Para mim, educação sempre foi uma coisa muito importante, minha família tem vários educadores e sempre me incentivou muito. Então, poder me colocar nesse papel de lecionar para as pessoas, que é uma coisa que, para mim, sempre fizeram. Poder retribuir para alguém como educadora foi muito importante e a Escola Eleva proporcionou essa oportunidade", complementa Antonia Guedes, aluna da Eleva. 

Além da contribuição social, os próprios estudantes reconhecem ganhos pessoais e acadêmicos decorrentes da experiência. "Eu acho que o meu desenvolvimento pessoal vem de conhecer várias pessoas e ver a gente ajudando elas, o impacto que o inglês tem na vida delas, porque muda muito. E essa proximidade que a gente cria com os alunos, para o meu desenvolvimento acadêmico, eu até penso mais sobre o meu inglês, por que eu estou ensinando, por que eu falo o que eu falo. Então, me ajuda em vários ângulos da minha vida a melhorar em muitos sentidos", afirma Rafael, também aluno da Eleva.

Segundo Eduarda Azevedo, diretora voluntária da unidade da CPM no Rio de Janeiro, “a parceria é um modelo que gera vantagem para as duas organizações. A escola cede o espaço físico para que a gente possa ter aulas aos sábados e a organização recruta alunos do ensino médio como nossos volunteachers, que são nossos professores voluntários de inglês”, explica.

Debate sobre internacionalização da educação

Para abordar o tema, a CPM esteve presente no International Education Summit 2026, que aconteceu em 11 de setembro, no Centro Paula Souza, em São Paulo (SP). A organização, representada por Sarah Morais, diretora executiva da CPM, participou do painel "O currículo invisível que abre portas no mundo: atividades extracurriculares, cidadania ativa e o caminho para bolsas internacionais", ao lado de Lídia Machado, da Efígie, e Sandra Garcia, do Instituto ELA. O debate abordou como experiências de  voluntariado vêm se consolidando como parte da formação de estudantes que desejam ampliar suas oportunidades acadêmicas e profissionais em um contexto cada vez mais globalizado. 

“Convidamos todos os jovens que têm interesse em fazer parte da CPM e as escolas que procuram um programa estruturado de voluntariado. As escolas podem se beneficiar por meio de parcerias e contribuir com o desenvolvimento dos estudantes. É uma parceria em que todos ganham, escolas, alunos e comunidade!”, comentou Sarah Morais, diretora executiva da Cidadão Pró-Mundo, durante o evento.


Assessoria de Imprensa para ONGs / Assessoria de Imprensa para o Terceiro Setor


 
 
 

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