4 canais de comunicação indígena para acompanhar

September 4, 2020

Você já viu aqui no blog da DePropósito que o grande objetivo da comunicação de causas é amplificar vozes e qualificar debates públicos, gerando empatia, engajamento, mobilização coletiva e, por fim, a transformação de uma determinada realidade. Essa é uma área que demanda sensibilidade, coragem, propósito e disposição para um aprendizado constante. Por aqui, estamos sempre atentas às discussões em torno de temáticas socioambientais, aos novos e velhos desafios da área e, claro, às boas notícias.

 

Um dos movimentos que mais têm nos alegrado é o crescimento dos projetos de comunicação liderados por vozes indígenas, o que é ainda mais significativo no atual contexto político brasileiro. Ter espaços dedicados às narrativas indígenas nos aproxima de uma diversidade de saberes, reflexões e demandas, além de contribuir para o fortalecimento da cultura democrática.

 

Comunicação indígena

 

Em 1987, o líder indígena Ailton Krenak protagonizou um dos momentos mais marcantes da Assembleia Constituinte. Vestido em um terno branco, pintava o rosto com tinta preta enquanto discursava: 

 

“O povo indígena tem um jeito de pensar, tem um jeito de viver, tem condições fundamentais para a sua existência e para a manifestação da sua tradição, da sua vida, da sua cultura, que não coloca em risco e nunca colocaram a existência, sequer, dos animais que vivem ao redor das áreas indígenas, quanto mais de outros seres humanos (...) Um povo que sempre viveu à revelia de todas as riquezas, um povo que habita casas cobertas de palha, que dorme em esteiras no chão, não deve ser de forma nenhuma contra os interesses do Brasil ou que coloca em risco qualquer desenvolvimento. O povo indígena tem regado com sangue cada hectare dos oito milhões de quilômetros quadrados do Brasil. Os senhores são testemunhas disso”. 

 

 

Mais de 30 anos depois, as novas tecnologias estão ajudando a disseminar outras vozes representantes dos mais 800 mil indígenas que vivem no Brasil. Por meio de sites, redes sociais e podcasts comunicadores indígenas estão se articulando em rede e fortalecendo a luta por direitos. Selecionamos quatro projetos incríveis para você conhecer e acompanhar na internet. Confira:

 

Mídia Índia

 

Rede de comunicação formada por jovens indígenas. Tem o objetivo de se fortalecer como uma porta voz da luta indígena nas redes sociais. Com quase 100 mil seguidores no Instagram, ocupa um lugar importante na difusão das pautas e temas transversais à causa indígena. 

instagram.com/midiaindiaoficial

 

Rede Wayuri

 

Criada em 2017, a Rede Wayuri nasceu com o nome de Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro e é composta por 20 comunicadores indígenas das etnias Baré, Baniwa, Desano, Tariano, Tuyuka, Tukano, Wanano, Yanomami, Piratapuia e Hup'dah. Mensalmente, a rede produz o boletim de áudio Wayuri, informativo que visa levar informação sobre os territórios indígenas do Rio Negro para suas 750 comunidades. Além de ser veiculado via Soundcloud, o conteúdo é compartilhado pelo WhatsApp. Qualquer pessoa interessada em acompanhar as novidades pelo aplicativo de mensagens, pode se inscrever enviando mensagem para o número (97) 98406-3754. Os comunicadores também têm a missão de combater fake news produzidas contra os povos indígenas, lutando contra estereótipos e preconceitos.

 

 
Copiô, Parente


Apesar de não ser criado por indígenas, o "Copiô, Parente" é um boletim de áudio semanal que apresenta os destaques de Brasília na vida dos povos indígenas e dos povos da floresta. É feito pelo Instituto Socioambiental (ISA). Além de estar disponível no Soundcloud e no Spotify, é distribuído em formato MP3 por Whatsapp para indígenas, extrativistas, quilombolas, geraizeiros, ribeirinhos e pessoas que se interessam pela pauta de direitos destas populações. Para receber o boletim no celular, envie mensagem para (61) 99810-8703.

 

 

Wariu

 

Criado pelo jovem xavante Cristian Wariu, o canal no Youtube tem o objetivo mostrar a cultura indígena livre de estereótipos. Fala sobre etnias, crenças, música, artesanato e culinária. 

 

 

 

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